
Há muito, muito tempo atrás....
O planeta já possuía todas as características dos dias de hoje, climática e geológica. Já estava pronto a abrigar todas as espécies que conhecemos, e tantas outras que estavam por vir. O homem primitivo já caminhava em dois membros, mas de um jeito vacilante, inseguro, assustado, sempre pronto a atacar ao menor sinal de perigo, e já trazia no semblante muita semelhança com os traços que temos hoje.
Da vida de outros animais tirava seu alimento, dilacerava a vítima sem ater-se aos melhores pedaços; comia vísceras, peles e triturava ossos. Afinal, seu estágio evolutivo não lhe permitia outro tipo de atitude, pois ainda não possuía em seu coração a chama da bondade. Sua única motivação era a sobrevivência, e sua vida valia mais que qualquer outra...
Os milênios foram apurando esse ser, lapidando-o como a um diamante... Mas ele ainda estava muito longe do esperado... Já cozinhava seu alimento e usava de artefatos para comer. A linguagem ainda era um emaranhado de grunhidos, palavras em formação, mas já possuíam uma organização simplória condizente com o estágio do momento. Mas a sobrevivência ainda era sua maior luta e sua vida ainda valia mais que qualquer outra...
Novos seres foram sendo inseridos no planeta, seres mais evoluídos, com a responsabilidade de direcionar os habitantes selvagens, mostrando o caminho do bem, da compaixão e da paz. Por séculos, milênios, viveram entre nós, criando novos povos, lendas e mitos. Povos que deram início ao progresso e ao que conhecemos hoje por civilização; continentes perdidos, Suméria, Vale do Indo... os egípcios revolucionaram com a arquitetura monumental, que ainda hoje causa assombro e é um mistério aos descrentes materialistas; os Maias vieram com sua tecnologia requintada no plantio de sementes, que começou a ser uma nova opção para a alimentação dos rústicos habitantes.
Os animais deixaram de ser a única fonte de alimento e passaram a ocupar o espaço dentro das casas como companheiros dos homens e os grãos e vegetais ganharam requinte nos banquetes, mas a carne ainda era necessária dentro dos cardápios...
Jesus veio, trouxe a inconfundível mensagem de amor aos animais, nascendo entre eles, defendendo-os abertamente nos templos. Foi, sem dúvida, um vegetariano, fato que pode ser comprovado lendo-se o Evangelho dos Doze Santos, encontrado em 1850 no Tibete, o Evangelho Essênio da Paz, achado na Biblioteca do Vaticano em 1925, e os Manuscritos do Mar Morto, encontrados em 1945 numa caverna do Oriente Médio.
Jesus viveu entre os Essênios aproximadamente dos 12 aos 30 anos, período em que não há muitos relatos sobre sua vida. Os Essênios não comiam carne e abominavam qualquer tipo de crueldade contra animais. Esse é outro fato já comprovado pela ciência...
Infelizmente sua mensagem de paz foi deturpada para o comodismo geral, e apesar da vida Divina do nosso Mestre como sacrifício, o consumo de carne permaneceu... Sacrifícios ridículos... Exploração desnecessária... Tudo para que o cristianismo fosse mais facilmente divulgado e aceito.
Hoje, mais de dois mil anos nos separam dos dias em que Jesus respirou nesta terra, e Sua luz apesar de ainda brilhar, pouco da mensagem Divina restou. Tudo o que temos são ensinamentos que se contradizem com a imagem do Mestre, que é de puro amor.
Novos grãos e vegetais considerados perfeitos são descobertos com frequência. Afinal, Jesus, comandando a evolução planetária, está sempre tentando nos inspirar pelo caminho que nos conduza a essa evolução. Nosso estágio físico não nos permite mais o consumo de carnes, nosso organismo é incompatível com a digestão das mesmas. Não possuímos dentes para isso e nem tampouco sistema digestivo, mas o homem continua comendo... Sua vida, assim como nos primórdios, ainda vale mais que qualquer outra...
Há alguns anos, uma matéria no jornal regional, mostrou um novo vegetal rico em proteínas descoberto em uma propriedade rural; e quando a proprietária do sítio foi entrevistada para falar sobre os benefícios do mesmo, teve a infelicidade de fazer o seguinte comentário: “Fica uma delícia feito com um franguinho”. Quer dizer, não importa os inúmeros benefícios de um vegetal... A carne é um vício e as pessoas não conseguem entender que a descoberta desses vegetais é sempre uma nova chance dada, para que paremos com o consumo de animais.
A evolução não regride, não há a menor chance, mas sinto muitas vezes que estamos piores hoje, em matéria de amor, do que nos primórdios. Afinal, nossos ancestrais tinham como atenuante o estágio rústico em que se encontravam. E nós? Qual a nossa desculpa?
O que você leitor, faria, se houvesse provas inquestionáveis de que Jesus condena o consumo de carnes? Mudaria de hábitos, deixaria de frequentar a Igreja ou trocaria de Messias?
Pense nisso e evolua... Sua vida não é melhor que a vida do animal que come...
Vanderli do Carmo Rodrigues