A situação do rio Aguapeí, que nasce em Gália e deságua no rio Paraná, tem gerado indignação entre pescadores e demais usuários do curso d’água. O descontentamento aumentou no último fim de semana, quando um despejo irregular de vinhaça no Córrego Bispo, afluente do Aguapeí, causou a morte de peixes e mau cheiro em Lucélia.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostraram o impacto ambiental, ultrapassando 65 mil visualizações. A mobilização em defesa do rio tem crescido, segundo a advogada Silveli Bataglia (Shill), que acompanha o rio desde a infância.
“Após divulgarmos a situação do nosso rio em Lucélia, recebemos relatos e apoio de outros pescadores e usuários, de Tupã até Junqueirópolis. O sentimento é apenas um: preocupação. Estamos nos unindo para cobrar das autoridades um olhar para o rio Aguapeí, que há pelo menos seis anos sofre constantemente com a falta de fiscalização”, destacou Shill.
Segundo informações da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) à TV Fronteira, o despejo irregular ocorreu após o rompimento de um cano subterrâneo de uma usina em Bento de Abreu. O órgão afirmou que “a situação foi controlada, medidas emergenciais foram concluídas e a qualidade da água está sendo avaliada”.
A advogada ressalta que casos como esse são recorrentes e que, geralmente, os órgãos competentes só aparecem dias depois, quando o problema parece estar controlado, mas os impactos já são visíveis. O despejo de vinhaça, um resíduo altamente tóxico rico em matéria orgânica e potássio, provocou a morte de diversos peixes entre Lucélia e Adamantina.
Retirada de água agrava situação
Outro problema apontado é a retirada de água ao longo do rio Aguapeí. Segundo Shill, existem pelo menos 22 bombas de irrigação instaladas entre a cachoeira do Salto Botelho e o distrito do Indaiá, em Flórida Paulista.
“A irrigação está acabando com nosso rio. Ele já está abaixo do nível permitido, e mesmo assim as bombas seguem funcionando. Isso prejudica a fauna, especialmente o período de desova dos peixes, e dificulta a navegação em diversos trechos”, explicou.
A advogada reforça que, neste período de seca, seria necessário desligar as bombas para respeitar o nível mínimo do rio e evitar impactos ainda mais graves. Ela alerta para a necessidade de união da população e fiscalização efetiva para preservar o Aguapeí.