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“Ser anormal deveria ser normal” — por Vanderli do Carmo Rodrigues
Nova coluna de Vanderli do Carmo Rodrigues reflete sobre a “Normose”, um mal silencioso da atualidade que transforma hábitos aceitos pela sociedade em práticas nocivas ao ser humano, aos outros seres vivos e ao planeta.
24/09/2025 16h49 Atualizada há 5 meses
Por: Redação Fonte: Garça em Foco

Você se acha normal? Se sim, o que essa afirmação diz sobre você? Descolado, antenado, festeiro ou simplesmente seguindo o fluxo?
Há uma doença da atualidade, de nome “Normose”, que acomete quase que em totalidade a população mundial; uma doença, cujo sintoma se baseia em um conjunto de hábitos apregoados e aceitos pela sociedade. Estes hábitos, ditos normais, em muitos casos são tremendamente nocivos para o ser humano, para os outros seres ou para o planeta, mas que devido à normalidade com que são praticados, as pessoas não percebem, ficando reféns de seus próprios costumes. Definimos “normal” como “correto”, mas a normalidade e a moralidade quase sempre caminham em direções opostas.
Ser normal é tentar ser igual e é isso que define uma sociedade, porém ser “anormal”, em se tratando de ideias que contradizem o senso comum, é o que alavanca a evolução. Foram os ditos “anormais” que trouxeram luzes que brilham ainda hoje, onde teima em reinar as trevas do conformismo e da normalidade.
Ser normal é seguir um fluxo pré estabelecido e se enquadrar em uma sociedade de zumbis; usar um celular da moda, estar por dentro da vida de celebridades, cantar a “música” do momento, estar sempre em alta nas redes sociais - como se isso fosse acrescentar algo de valoroso ao mundo. Ser normal é parar em um bar no final do dia e tomar uma bebida, afinal é normal e recomendado pela maioria normal que se tome um drinque depois de um dia cansativo de trabalho. Ir à igreja aos domingos é normal, e é tão normal frequentar igrejas e entoar os cânticos decorados que você nem sabe o que diz os refrãos; sua cabeça voa longe enquanto seus lábios recitam o que a normalidade dos seus domingos já gravou na sua memória.
A normalidade atirava inocentes aos leões.
A normalidade impôs que os negros deveriam se sujeitar ao domínio dos brancos.
A normalidade impôs que as mulheres se sujeitassem aos homens.
A normalidade levou um louco a se sentir superior e quase dizimar uma raça.
A normalidade perseguia “hereges” e os queimava vivos.
A normalidade nos dias atuais tem aumentado a demanda por carne, e dia a dia mais animais são mortos para que a maioria se sinta “normal” diante de uma churrasqueira... 
A normalidade induz uma família a ingerir bebidas nocivas - mas permitidas dentro da Lei - durante as refeições, fazendo crer que aquilo é bom e pode uni-los.
A normalidade está nas escolas, nos lares, nas igrejas. Na verdade, ela está dentro de cada um, na ânsia de ser aceito e participar de algo.
A normalidade fuma, bebe, se diverte; os normais sorriem por nada, comem por muitos... Começam a semana já fazendo planos para se divertir no final dela... Diversão é o lema maior.
O que é ser anormal em meio a tanta normalidade? Ser anormal é ver o mundo sob outro prisma, é não caber em grupos, é ser alvo de chacotas; um anormal não segue fluxos, ele cria o fluxo... 
Buda foi um anormal, pois ele renunciou ao seu palácio e saiu jejuando pela vida, pregando a paz interior através do amor e do vegetarianismo... –Ah, que louco! – a “normalidade” pensou; afinal ele poderia ter desfrutado uma vida de luxo, rodeado de pratos suculentos, mas se contentava com uma tigela de arroz...
A sociedade desde tempos remotos teve sua abençoada parcela de anormais; Gandhi, Einstein, Darwin, Madre Teresa, Leonardo da Vinci, Voltaire, São Francisco de Assis... Mas o maior deles sem dúvida foi Jesus... Esse foi o maior anormal que já pisou a Terra. Ele deixou sua posição de Ser Angelical e Governador Espiritual do Planeta Terra e veio nascer e morrer aqui entre nós, criaturas bestiais. Tudo isso para nos ensinar a amar... 
Podia multiplicar peixes e vivia de pão de mel e suco de uvas? –Por que não multiplicava as vacas e fazia uma churrascada com seus apóstolos? –  a “normalidade” pensa.
Como poderá um normótico entender tamanho amor? Amor de um Adorável e Inesquecível Louco... 
A cura do mal da Normose, ao meu entender, baseia-se primeiramente em amar e praticar este amor; depois em sair da zona de conforto da mesmice e expandir a mente se informando. Fazendo isso sua visão se abrirá e eis que você já não será mais um igual. E tudo que era normal, passa a ser absurdo e desumano.
Você é normal? Sente orgulho em afirmar isso?
Da próxima vez que se intitular “normal” tome cuidado, pois você pode estar sofrendo de Normose e condenando sua curta estadia neste planeta a não gerar frutos, vivendo aprisionado aos grilhões do comodismo.

Vanderli do Carmo Rodrigues