A Liturgia da Palavra deste 14º Domingo Comum medita sobre a realização dos planos de Deus, pois ele sempre escolhe e envia pessoas em Missão. As Leituras falam de Três Envios: um profeta anônimo, Paulo e os setenta e dois discípulos.
Na Primeira Leitura (Is 66,10-14c), um profeta é enviado para proclamar o amor de Mãe, que Deus tem pelo seu Povo: “Como uma mãe que acaricia o filho, assim eu vos consolarei” (v.13).
Na Segunda Leitura (Gl 6,14-16), Paulo sente-se enviado como testemunha da Cruz: “que eu me glorie somente da cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo” (v.14).
No Evangelho (Lc 10,1-12.17-20), Jesus envia os setenta e dois discípulos. É uma catequese sobre a Missão da Igreja. O texto tem duas partes: O Envio e a Volta da Missão.
Primeiramente, a Missão. Os destinatários são todos os povos e raças. Ninguém é excluído. O Número setenta e dois é simbólico, pois remetem a setenta e dois as quais eram todos os povos conhecidos de então. Outros teólogos afirmam que recordam os setenta e dois escolhidos por Deus para ajudar a Moisés. Deste modo, Jesus seria um novo Moisés.
O Objetivo da Missão é ir à frente de Jesus, preparando a sua chegada. A tarefa dos discípulos não é pregar a sua própria mensagem, mas preparar o caminho de Jesus e dar testemunho dele. É ir à frente, como João Batista, para revelar e apontar aquele Jesus, que embora presente no meio da humanidade, ainda não é conhecido por eles.
O Método missionário é enviá-los dois a dois. O anúncio do Evangelho é uma tarefa comunitária, que não é feita por iniciativa pessoal, mas em comunhão com os irmãos. Muitas pastorais ainda hoje não progridem, por que será? Não faltaria espírito de equipe, de comunidade?
Depois temos as qualidades necessárias para ser discípulo missionário. Primeiro, ser uma pessoa de oração. Veja o que Jesus pede: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita” (v.2). A Oração é a fonte da Missão. Outra qualidade é ser forte, pois o discípulo missionário deve anunciar o Reino numa sociedade hostil:
“Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos” (v.3). Devem ser pessoas pobres, desprendidas, sem grandes “equipamentos”: “Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias” (v.4). O anúncio do Reino não depende do poder dos “instrumentos” utilizados. Devem ser pessoas simples que participam da vida do Povo e confiam na hospitalidade: “comei e bebei do que tiverem” (v.7). E por fim, devem ser pessoas que têm uma grande confiança em Deus Pai, mesmo quando os frutos não são visíveis.
O Conteúdo da Mensagem é o Anúncio do Reino desejado por Deus: “dizei ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vós’” (v.9). Esse Reino vem trazer a Paz: “Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’” (v.5). E o anúncio se autentifica com gestos concretos de compaixão e misericórdia, pois completam o anúncio e mostram a presença do Reino: “Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, curai os doentes que nela houver” (v.8-9). O discípulo missionário deve mostrar nos gestos, o que ele anuncia em palavras.
Jesus também faz um alerta aos discípulos: “Mas, quando entrardes numa cidade e não fordes bem recebidos, saindo pelas ruas, dizei: ‘Até a poeira de vossa cidade, que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vós’” (v.10-11). Deus respeita a liberdade de cada pessoa em aceitar ou não o seu projeto de salvação, mas quem não o aceita, torna-se responsável pela sua recusa. Esse alerta aponta que nem todos aceitaram o Reino.
O Evangelho termina comentando sobre a volta da Missão. Os Discípulos voltam alegres contando as realizações. Jesus os escuta com interesse. Quanta alegria em refletir e celebrar juntos as pequenas e grandes conquistas de cada um. Como é importante encontrar alguém que nos escute. Mas, Jesus também os adverte para não se envaidecer com o sucesso: “Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu” (v.20). Jesus não está preocupado com a “Pastoral de resultados”. A qualidade dos discípulos missionários não se mede pelas estatísticas, nem mesmo pelas igrejas cheias. Para Jesus crucificado, abandonado pelos discípulos, porque foi fiel até a morte, a própria Cruz foi um grande momento de glória. Se continuarmos lendo o capítulo dez do Evangelho de Lucas descobriremos que muitos recusaram a proposta de Jesus. Por isso, Jesus conclui com uma oração: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado” (v.21).
Quem são os setenta e dois Discípulos, hoje? A Igreja, na conferência de Aparecida, nos envia como “Discípulos e Missionários de Cristo”, para a “Grande Missão Continental”, a fim de impulsionar a busca dos católicos afastados ou dos que pouco conhecem a Jesus Cristo, para formar um continente de Vida, de Amor e de Paz. É importante não esquecer as instruções deixadas por Jesus aos setenta e dois discípulos.
Pe. Anderson Messina Perini
Administrador Paroquial da Paróquia Jesus Bom Pastor de Santo André