Esportes Recordar
O craque Dinho Parreira com o mascote Johnatas
Nesta coluna, Tico Cassola fala sobre o reencontro do craque Dinho Parreira, que depois de 30 anos reencontrou o mascote que presenteou com uma bola na partida entre Noroeste e Corinthians.
30/01/2023 09h59
Por: Francisco Alves Neto Fonte: da redação
Depois de 30 anos, Dinho Parreira reencontra o mascote que presenteou com uma bola na partida entre Noroeste e Corinthians. Pág. 11

No dia 27 de janeiro de 1990, o corintiano Johnatas Carlos Bellini Caldeira viveu um dia que jamais será esquecido. Há exatos 33 anos ele foi mascote do time do Noroeste, que enfrentou o Corinthians, no jogo de abertura do campeonato paulista da temporada. Ainda teve a oportunidade de entrar em campo com o defensor Dinho Parreira, que acabava de ser contratado pelo Noroeste junto ao Garça.

O Johnatas lembra com detalhes deste memorável dia, de como tudo aconteceu: “Na época, o Sr. Antônio Parreira, pai do Dinho, e o irmão Tuca, estavam fazendo uma construção para o meu pai Gil Caldeira, o conhecido ‘Gil do Cartório’. O Dinho jogava no Noroeste, que ia estrear no campeonato paulista, no “Alfredo de Castilho”. Na época era comum os jogadores entrarem em campo, como acontece hoje em dia, especialmente nos jogos da Copa do Mundo. Então eu, com oito anos, fui convidado pelo Dinho e de pronto aceitei, até porque poderia ver os craques do meu Corinthians de perto. Me lembro que nos vestiários cada jogador recebeu uma bola, para ser distribuídas aos torcedores nas arquibancadas. Só que o Dinho ao invés de chutar, me deu a bola de presente. Abracei e fui de encontro ao meu pai, todo feliz, assistir o jogo. Até hoje guardamos a bola marca Drible como um troféu, uma verdadeira relíquia” (foto abaixo).

“Quanto ao jogo, o Noroeste ganhou por 1 a 0, gol do Chicão, cobrando falta. Logicamente fiquei triste com a derrota do meu Corinthians. Mais fiquei feliz, bem mais feliz, pela oportunidade de ir no campo, ser mascote por um dia, e ainda por cima ganhar uma bola de futebol, igual à do jogo. Após a partida retornamos para Garça e fomos comemorar com um churrasquinho na casa do pai do Dinho, o saudoso seu Antônio, um grande amigo do meu pai. O Dinho até autografou a bola, só que infelizmente apagou com o tempo, depois de 33 anos. Mas foi um dia que jamais será apagado da minha memória”, relembra Johnathas. 

O tempo passou e apesar do Dinho e Johnatas residirem em Garça, fazia um bom tempo que não se viam. Na tarde da última quarta feira promovemos o encontro dos dois, levando, é claro, a bola daquele jogo, que foi novamente registrado para a posteridade (foto). Emoções é que não faltaram no encontro, cheio de nostalgia e saudosismo. O Johnatas é casado com Aline, e continua firme torcendo para o Corinthians. De quebra, ainda virou um grande botonista de nossa cidade.

Para os noroestinos e corintianos, recordamos a ficha técnica do jogo. Competição: Campeonato Paulista; Local: Estádio “Alfredo de Castilho”, em Bauru/SP; Data: 27 de janeiro de 1990 (sábado); Horário: 16:00 horas: Árbitro: Osvaldo dos Santos Ramos; Gol: Chicão; Público: 5.795 torcedores; Renda: NCz$-372.325,00 (Cruzeiros Novos)

Noroeste: Rubens; Marcos, Maurício Cosin, Juliano e Dinho Parreira; Paulo César Catanoce e Adaílton; Lela, Chicão e Marquinhos (Fenê) - Técnico: Norberto Lopes;

Corinthians: Dagoberto; Pardal (Tupãzinho), Marcelo, Guinei e Giba; Márcio e Neto; Eduardo Almeida, Fabinho, Viola e Mauro - Técnico: Basílio.

Veja uma das formações do Noroeste daquela temporada. Em pé da esquerda para direita: Dino Zaparolli (treinador de goleiro), Rubão, Dinho Parreira, Maurício Cosin, Juliano, Catanoce e Marcos Côco. Agachados: Lela, Marquinhos, Adailton, Marcos Cesar “Pato” e Chicão.

CRAQUE DA BOLA

Rinaldo Antônio Parreira, o “Dinho”, é mais uma das grandes revelações do futebol garcense. Natural do Estado do Paraná, da cidade de Lobato, chegou ainda criança em Garça, com apenas 13 anos. Convenhamos, tinha tudo para se consagrar como um atleta profissional. Mas o destino, assim não quis. Como diria o diria o técnico Filpo Nunes: “Cosas del futebol”.

Mesmo assim, o Dinho viveu grandes momentos no futebol. Um zagueiro canhoto, lateral esquerdo (ala), que tinha um futebol técnico e determinado. Era extremamente aplicado quando estava em ação, um jogador de grupo, leal nas jogadas. Dificilmente era advertido com cartão amarelo. Vermelho, jamais.   

No futebol amador jogou por vários anos no Flamengo, do técnico Betão, com uma curiosidade: no ano de 1987 foi artilheiro do campeonato, mesmo não tendo as características de um atacante nato, desbancando este articulista. Também defendeu o tradicional VIMEC.

No futebol profissional, jogou no Garça, nos anos de 1984, 85, 88 e 89. No flagrante ao lado do centroavante Geraldão “manteiga” e do ligeiro ponteiro Edinho. Fez grande amigos no futebol, principalmente entre os técnicos. Trabalhou com o Itamar Belasalma, Bô, Altamiro Gomes, Roberto Bertuço, Celso Azevedo, Norberto Lopes e Olegário “Dudu” Oliveira, além do amigo e irmão Betão Aguiar. Sempre atento ao futebol e como bom palmeirense, tem dois ídolos: de ontem, Zico, do futebol atual Gustavo Scarpa.