Terça, 15 de Junho de 2021
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Geral LUTO

Dr. Daniel: ícone da medicina garcense morre aos 92 anos

Por volta das 17h10 deste sábado, o coração do cardiologista que cuidou de tantos corações e salvou milhares de vidas, silenciou-se, ecoando dor e tristeza em toda a comunidade.

22/05/2021 20h04 Atualizada há 3 semanas
Por: Francisco Alves Neto Fonte: Da redação
Dr. Daniel: ícone da medicina em Garça
Dr. Daniel: ícone da medicina em Garça

A comunidade garcense, que nos últimos tempos vem sendo abalada por tantas perdas de pessoas queridas, sofre o impacto da partida de mais um cidadão ilustre. Para tristeza de toda a comunidade médica, faleceu no final da tarde deste sábado o cardiologista Daniel Ermete Uvo, aos 92 anos de idade, 67 deles dedicados a sua maior paixão: a medicina.

Por volta das 17h10, o coração homem que cuidou de tantos corações e salvou milhares de vidas, silenciou-se, ecoando dor e tristeza para familiares, amigos, admiradores e pacientes. Sua morte, de causas naturais, ocorreu na Santa Casa de Misericórdia de Marília. O corpo do já saudoso médico será velado a partir ds 8 horas da manhã deste domingo no Velório Municipal, e seu sepultamento ocorrerá às 14 horas no Cemitério Santa Faustina.

A HISTÓRIA

Dr. Daniel não era apenas um ícone da medicina garcense. Era um ser humano especial, excepcional, que escolheu Garça como sua cidade de coração. Foi fugindo da agitação e do extress – para ele, a maior causa de infartos - que Dr. Daniel saiu da Capital em 1957 e veio para o município,  com o título de cardiologista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Formado pela Universidade Federal de Medicina, o médico veio a convite de um grupo de médicos que trabalhavam no Hospital Geral Particular Santa Helena.

Ao lado do cirurgião Mário Nunes Miranda e do anestesista José Formigoni, Dr. Daniel Ermete Uvo formou uma equipe de cardiologia responsável por várias cirurgias cardíacas no primeiro ambulatório de Doenças Reumáticas do Coração.    As intervenções ocorriam durante as jornadas médicas. Naquela época, ainda não eram realizadas as operações "a céu aberto". Os procedimentos eram feitos através de uma pequena incisão, por onde o cirurgião introduzia o dedo. As cirurgias "a céu aberto", só foram possíveis após a introdução do pulmão e do coração artificial.

A primeira deste gênero realizada em Garça ficou para a história. A demonstração ocorreu durante uma jornada médica no Hospital Santa Helena, e foi realizada por dois renomados cirurgiões: Zerbini e Adib Jatene. Mesmo com o prefeito Rafael Paes de Barros tendo adquirido coração e pulmão artificial visando estimular as cirurgias "a céu aberto", o procedimento não foi além de um experimento com animais. Assim, esse tipo de cirurgia só ficou sendo possível nos grandes centros.

Através do Dr. Daniel, a população garcense teve acesso aos mais modernos tratamentos de doenças cardiovasculares. Logo que chegou a Garça, o cardiologista trouxe na bagagem um eletrocardiógrafo importado e um aparelho de radioscopia, com os quais fazia diagnósticos e tratamentos com os medicamentos disponíveis na época. Quando necessário, encaminhava os pacientes para as intervenções cirúrgicas.

Junto com as modernas técnicas, veio também a maior preocupação com a profilaxia, ou seja, a prevenção seria a melhor maneira de evitar as doenças cardiovasculares. E o cardiologista era adepto da prevenção. Durante as consultas, além de medicar, deixava claro aos pacientes que era necessário deixar o sedentarismo de lado, ter uma alimentação saudável com dieta rica em frutas, verduras e carne magra, não fumar e procurar levar uma vida menos estressante. Ele seguiu a risca sua própria receita de longevidade.

REALIZADO EM GARÇA

Apesar dos poucos recursos tecnológicos oferecidos pela  cidade, Dr. Daniel nunca quis abandonar Garça, nem mesmo quando ganhou uma bolsa para estudar nos Estados Unidos. Ele também teve oportunidade de voltar para a Capital e iniciar carreira promissora em 1969, quando foi nomeado pelo governador Carvalho Pinto para o Instituto de Cardiologia de São Paulo. Mas recusou.

Segundo declarou numa de suas várias entrevistas, em Garça, vivendo uma vida pacata, conseguiu ser útil, criar e educar seus filhos ao lado de sua esposa Marina Bertacchi Uvo, advogada e psicóloga. Dr. Daniel se realizou profissionalmente através dos filhos, todos formados e bem sucedidos profissionalmente.

Os três homens são médicos cirurgiões: Silvio Antônio Bertacchi Uvo, cirurgião de cabeça e pescoço, é professor da Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA); Ricardo Antônio Bertacchi Uvo é cirurgião infantil; e Eduardo Antônio Uvo é ortopedista. Cláudia Regina Bertacchi é fonoaudióloga. A única que não seguiu carreira na medicina foi Cintia Regina Betacchi Uvo, que é pós graduada em meteorologia.      

 

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