Terça, 15 de Junho de 2021
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Geral ANIVERSÁRIO DE GARÇA

Garça chega aos 92 anos com 20 leitos de UTI e melhoras significativas no campo da saúde

Mesmo num cenário de pandemia, a saúde garcense vem demonstrando uma qualidade diferenciada. O município, que até há pouco não contava com nenhum atendimento de alta complexidade, chega a esse maio de 2021 com 20 leitos de UTI.

05/05/2021 11h00 Atualizada há 1 mês
Por: Francisco Alves Neto Fonte: Da redação
Garça chega aos 92 anos com 20 leitos de UTI e melhoras significativas no campo da saúde

Garça completa nesta quarta-feira seus 92 anos de existência. Há muito a se comemorar, muitas aspirações e muitos desafios nessas mais de nove décadas de história do município. E no que se refere à comemoração, uma questão de relevância a ser observada é a saúde. Afinal, ela passou por mudanças relevantes ao longo dos últimos anos, ampliando sua atuação, garantindo serviços e buscando oferecer à população um atendimento de qualidade. 

Mesmo num cenário de pandemia, a saúde garcense vem demonstrando uma qualidade diferenciada. O município, por exemplo, que até há pouco não contava com nenhum atendimento de alta complexidade, chega a esse maio de 2021 com 20 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), sendo dez normais credenciados e outros dez voltados para a covid-19, uma grande conquista e que torna Garça um referencial regional no segmento saúde.

O Jornal Mais ouviu o prefeito João Carlos dos Santos, que foi o condutor dessa mudança na estrutura da saúde, em busca de uma estruturação diferenciada, principalmente depois de a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia ter mostrado grandes dificuldades em manter a administração do Hospital São Lucas. o único em atividade na cidade.

Segundo o prefeito, um recorte relevante seria observar a situação que era vivenciada pela saúde da cidade em 2016, quando os serviços nesse segmento demonstravam um cenário complexo e também um desentendimento entre as entidades gestoras. Ou seja, tratava-se de um ambiente que não favorecia a busca por um saúde de qualidade. 

João Carlos sustentou que uma iniciativa inicial para reordenar o setor foi a estruturação técnica e de equipamentos, mas, principalmente, se teve a preocupação com as pessoas ligadas ao segmento de saúde e seus profissionais, sendo que tais servidores se mostraram ainda mais importantes num momento dos mais difíceis, quando o Hospital São Lucas apresentava desentendimentos, descrédito e desconfiança da sociedade.

“Nós idealizamos um projeto para a saúde de Garça, que está em construção. Ele não está finalizado, temos ainda muita coisa para superar. Estruturar os serviços existentes, que vêm desde a atenção básica, do funcionamento dos programas de saúde da família, dos fluxos de atenção básica, que ainda temos problemas, e o grande entrave que é a gestão da informação dentro desse serviço. E, para isso, para melhorar a capacidade de gestão das informações dentro da saúde, desde o prontuário da paciente ao agendamento de consulta, ao controle do prontuário, controle da despesas, dos exames, dos insumos utilizados, ou seja, nós precisamos otimizar os recursos, que são limitadíssimos e tentar fazer com que as nossas estruturas sejam mais eficientes no sentido de prestar melhores serviços”, diz o prefeito João Carlos.

Nesse contexto, a administração municipal vem na busca de organizar e criar um fluxo de serviços, que vá da atenção básica até a alta complexidade. Posteriormente, apareceu o Samu, que ampliou o atendimento que anteriormente era desenvolvido pelo Corpo de Bombeiros, sendo que o serviço é a porta de entrada da UPA (Unidade de Pronto Atendimento). No passo seguinte, veio a AHBB (Associação Hospitalar Beneficente do Brasil), que passou a administrar o Hospital São Lucas, numa tentativa de fazer um trabalho de resgate de confiança e de credibilidade.

Quando essas evoluções estavam em curso, apareceu o fantasma da pandemia. As dificuldades adicionais apareceram, colocando em teste muito do que estava planejado e do que já tinha sido feito. O Hospital São Lucas passou a contar com dez leitos de saúde (UTI), fruto da concessão para a iniciativa privada, com a AHBB assumindo as atividades do Hospital.

“Vieram os dez leitos de UTI, que muita gente não acreditava que se tornariam uma realidade, que isso era mais um engodo político-eleitoral, e nós nos empenhamos muito nessa construção. Os seis leitos de UTI-covid, juntamente com os sete leitos de enfermaria covid, que temos dentro do São Lucas. Agora com essa nova iniciativa, transformando em dez leitos de covid-UTI. Então temos hoje 20 leitos de alta complexidade dentro do Hospital”, explica o prefeito.

Para João Carlos dos Santos, se for efetuada uma visão do cenário do São Lucas de 2016 para o de 2021 há muita diferença, com diversas conquistas sendo registradas, mas com várias deficiências ainda a serem superadas.

O prefeito garcense sustentou que os orçamentos públicos estão se mostrando menores nesta temporada, diante de um cenário de aperto que vem desde o governo federal. Para João Carlos, a pandemia trouxe para os municípios uma situação ainda desconhecida. No primeiro ano do avanço da covid-19, em função das incertezas que atingiam todo o país, muitas incertezas surgiram, o que possibilitou que condições financeiras para serviços de ponta aparecessem. 

“No ano passado teve dinheiro novo para custeio desses serviços já existentes e para a manutenção dele e para a absorção da covid-19 dentro dos serviços já existentes. ‘Choveu dinheiro’. A verdade é essa, porém, só foi naquele momento e as demandas continuaram, estão aí, tivemos de patinar e os municípios estão aportando recursos. Num primeiro momento foi fácil, já que estava vindo dinheiro, num segundo momento o dinheiro já acabou e a pandemia continua”, sustenta João Carlos, que acredita que um cenário mais crítico possa ser observado num futuro próximo, notadamente no segundo semestre deste ano e no primeiro trimestre do próximo ano.

 

 

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