Terça, 20 de Abril de 2021
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Geral PANDEMIA

Desesperados, donos de bares vão ao prefeito pedir socorro

Durante o encontro, os desesperados comerciantes alegaram que estão pagando sozinhos um preço muito alto pelo agravamento da pandemia, que na realidade é um problema de todos.

20/03/2021 08h46 Atualizada há 4 semanas
Por: Francisco Alves Neto Fonte: Da redação
Encontro do prefeito com grupo de comerciantes
Encontro do prefeito com grupo de comerciantes

Nesta manhã desta sexta-feira (19), atendendo a uma reivindicação da categoria, o prefeito João Carlos dos Santos recebeu em seu gabinete representantes do setor de bares, que literalmente fizeram um pedido de socorro ao poder público buscando alguma flexibilização das regras da quarentena, para que possam abrir suas portas, mesmo que de forma restrita, atender os clientes e arcar com os seus compromissos.  

Com o início da fase emergencial do Plano São Paulo de enfrentamento à pandemia na última segunda-feira (15), não é permitida a abertura dos estabelecimentos. Além disso, decreto municipal proibiu o drive thru (pegue e leve) que vinha sendo realizado livremente na cidade, além de decretar toque de recolher a partir das 20 horas com proibição de venda de bebidas. Durante o encontro, os desesperados comerciantes alegaram que estão pagando sozinhos um preço muito alto pelo agravamento da pandemia, que na realidade é um problema de todos. “Os mercados, as indústrias e outros setores estão trabalhando normalmente. Se fosse para fechar por conta do agravamento da pandemia não concordam que todos deveriam estar fechados também?” indagou Cristiano Bertolli, proprietário de um bar localizado em Vila Mariana, que fez parte do grupo que levou as reivindicações ao prefeito. “Não é só bares e comércio que tem que pagar por isso”, desabafou o comerciante, cujos efeitos do fechamento já atingiram sua vida pessoal. 

“Minha casa eu sustento com dinheiro do meu bar, e não tenho outra renda. Hoje o governador fecha o seu estabelecimento, mas ele não quer saber se você tem o que comer na sua casa, se tem conta para pagar. Ninguém tá preocupado. Ninguém foi na minha casa saber o que eu estou precisando ou não”, revolta-se Cristiano. “Por isso estamos aqui hoje brigando, mostrando que precisamos trabalhar”.

O comerciante deixou claro que respeita os familiares que perderam entes ou que estão sofrendo por conta da Covid, mas diz que por outro lado existem empresários que também sofrem com essa indefinição, e não conseguem arcar com seus compromissos básicos como água, luz e aluguel. “Nós precisamos conviver com o vírus e trabalhar. Não há o que fazer”, falou Cristiano, para quem o sistema de drive thru já resolveria um pouco a situação. Ele também argumentou que mesmo com o fechamento do comércio e as medidas restritivas, os números da infecção continuam em franco crescimento. “Será que não é porque o comércio todo está fechado e o povo está dentro de casa?”, indaga. 

Procurado pela equipe do Jornal Mais, o prefeito João dos Carlos dos Santos se pronunciou sobre o encontro. Primeiramente deixou claro que está preocupado com o impacto que a pandemia vem causando para as atividades econômicas locais, não apenas do setor de bares, mas de uma maneira geral.  Para ele, passamos por um momento crítico com a decretação da fase emergencial do Plano São Paulo, traçado para conter o avanço descontrolado da Covid-19 no Estado. 

“A grande preocupação nesse momento é prestar os serviços de saúde às pessoas que precisam, preservar os profissionais de saúde, mas entendendo também as necessidades do setor econômico. Sou solidário com todos que nos procuram, e da conversa que tive hoje com esse grupo vinculado aos bares, eu pedi para que eles entendam o momento, que é de uma aceleração descontrolada da pandemia”, falou o chefe do Executivo. 

“Expliquei que nesta fase emergencial juridicamente estamos vinculados a um decreto estadual e pouca coisa podemos fazer. Mas se conseguirmos avançar nos próximos dias para uma fase mais flexível, mesmo que seja vermelha ou laranja, assumi o compromisso de, na primeira oportunidade, trabalhar no limite da flexibilização, criando uma situação que não cause nenhum embaraço jurídico e possamos avançar nessas reivindicações”, destacou João Carlos, salientando que mantém canal aberto com todos os setores da economia, e que atua com responsabilidade e transparência no combate e controle do coronavírus no município. 

Sobre o futuro da crise endêmica, o prefeito acredita que enquanto boa parte da população não for imunizada, infelizmente essa triste realidade vai ser a rotina. “Acredito que no segundo semestre tenhamos condições mais favoráveis. Porém, não acredito que chegaremos ao fim. Isso deve ocorrer somente no final do ano”, concluiu. 

 

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