Terça, 20 de Abril de 2021
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Saúde PANDEMIA

Com 83% de ocupação, UTI do São Lucas já tem falta de medicamentos para pacientes

Segundo os responsáveis pela UTI, a taxa é alta e extremamente preocupante, ameaça a eficiência do atendimento de casos urgentes. Médicos poderão ser obrigados a fazer a dura escolha de qual paciente vai ocupar o único leito disponível.

06/03/2021 07h19 Atualizada há 1 mês
Por: Francisco Alves Neto Fonte: Da redação
A enfermeira Micaela alerta para a situação crítica das UTIs de Garça e região e diz que melhor remédio é a prevenção.
A enfermeira Micaela alerta para a situação crítica das UTIs de Garça e região e diz que melhor remédio é a prevenção.

Garça, assim como a grande maioria das cidades do país, vive seu momento mais crítico nessa segunda onda da pandemia do coronavírus que já matou 45 garcenses, quase a metade deles nos primeiros dois meses deste ano. Também é grande o número de infectados em fase de transmissão da doença. O Boletim Epidemiológico mais recente apontava até esta sexta-feira um total de 629 pessoas em isolamento. O grande número de infectados impacta diretamente na ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) destinados à Covid-19. No Hospital São Lucas, 83% dos leitos estão sendo utilizadas por pacientes que desenvolveram o quadro mais grave da infecção. Ou seja, dos seis leitos colocados à disposição da comunidade pelo Governo no início de janeiro, cinco estavam ocupados até esta sexta-feira. 

Conforme alerta a diretora Assistencial do Hospital São Lucas - AHBB, enfermeira Micaela Cardoso, a taxa é alta e extremamente preocupante, e ameaça a eficiência do atendimento de casos urgentes que chegam à Unidade de Pronto Atendimento, que evoluem com gravidade e precisam de terapia intensiva. 

“Por exemplo, se hoje surgirem dois pacientes na nossa Upa que necessitem de UTI-Covid, nós lamentavelmente já temos que escolher qual paciente vai ocupar o leito disponível. O outro infelizmente terá que aguardar uma vaga disponibilizado pela Central de Regulação em UTIs da região”, explica a enfermeira.    

Para piorar ainda mais a situação, o aumento da demanda provocada pelo coronavírus associado à falta de insumos, muitos dos quais importados, está comprometendo a produção de remédios pela indústria farmacêutica nacional, o que atinge diretamente o atendimento em UTIs. 

O problema já é constatado em Garça, sob o risco iminente de a falta de medicamentos afetar ainda mais a oferta de leitos, conforme alerta Micaela.

“Temos alguns medicamentos para pacientes respiratórios que estamos com grande dificuldade de encontrar. E quando encontra os preços estão abusivos. Sem contar o tempo de espera para entregar, que está muito longo”, esclarece a enfermeira. Dentre os medicamentos em falta estão os neurobloqueadores musculares, extremamente necessários para o tratamento de pacientes entubados, que respondem por 90% dos internados na UTI. “Hoje, dos cinco pacientes internados, quatro estão entubados, e todos fazem uso desses medicamentos”, informa. 

Micaela salienta que a falta de medicamentos não depende da vontade dos dirigentes do hospital e dos gestores públicos. Mesmo os hospitais que não prestam serviços ao SUS, que só atendem particular, estão tendo dificuldades. A situação, contudo, ainda não tem prazo para ser normalizada.  

Para a enfermeira, o quadro é mais um alerta para a sociedade de que o limite de capacidade de atendimento também está relacionado à produção industrial, e a melhor atitude é manter o isolamento para evitar a Covid-19 em, assim, a eventual necessidade de leito. Além é claro, de usar máscaras, higienizar as mãos e evitar aglomerações, festas e eventos.

“A gente vê muitas informações sendo divulgadas, mas infelizmente não existe tratamento precoce contra a Covid-19. Enquanto a vacina não chega para todos, a melhor maneira de não contrair o vírus é manter o distanciamento social, utilizar a máscara sempre, independente da situação, seja na caminhada ou um passeio, e fazer a frequente higienização das mãos. Aliás, esse é um cuidado que as pessoas esquecem muito. A mão tem que estar higienizada para a gente não levar o vírus até o rosto”, conclui.     

 

 

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